O PORTUGUêS DOS CONCURSOS é DIFERENTE DO PORTUGUêS QUE APRENDEMOS NA ESCOLA

Veja dicas de português para concursos
02/09/2010

Se a vida acadêmica de uma pessoa fosse um filme, o português seria a estrela principal. É através dele que temos acesso aos conhecimentos de outras matérias. Para responder um problema de matemática, temos que ler o enunciado. Para descobrir qual a capital de um país, temos que pesquisar em um livro de geografia.

Mesmo com toda essa importância, algumas pessoas ainda acham que o português pode fazer um papel secundário. Isso pode ser um erro fatal, como se deixássemos que o vilão capturasse a mocinha de nosso filme. Em levantamento recente, o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) revelou que apenas 32% dos candidatos avaliados passaram no teste de português em 2009, o equivalente a 12.577 estudantes de um total de 39.304.

Os números mostram que para quem está interessado em conseguir um emprego, é importante escolher a nossa língua pátria como parte do elenco. Na maior parte dos exames para concursos, a prova de português tem peso 2, em uma escala de 1 a 3. Por isso, o Ecaderno conversou com o professor Deivid Xavier, um especialista no assunto, para mostrar quais são os caminhos, e os atalhos, para um final feliz, com direito e aplausos da platéia.

Luz, câmera... ação

Deivid Xavier é professor de português do Plenarius Cursos Integrados e dá aulas em todo o país. Brasília, Palmas, Rio de Janeiro, Curitiba, Rio Grande do Sul, São Paulo, Juiz de Fora... onde existirem concurseiros, ele está presente. Com toda essa experiência, Deivid tem toda propriedade para dizer algo que muitos nem chegaram a cogitar: o português dos concursos é diferente do português que aprendemos na escola.

Segundo Deivid, tanto o português que aprendemos no ensino fundamental, no médio e até mesmo no ensino superior são pouco específicos. Já nos cursinhos para concursos, a história é diferente e o motivo são as provas. “As bancas de prova têm pensamentos distintos. Uma prova de português da Fundação Carlos Chagas, por exemplo, tem uma gramática muito normativa, bem objetiva. A banca do Cespe, por sua vez, gosta de questões de semântica, com o português aplicado ao texto. Já a Esaf tem uma prova mais extensa, bastante trabalhosa para o concurseiro. O importante é direcionar o estudo,  saber a banca que vai aplicar a prova e estudar baseado nas provas dessa banca. Esse é o primeiro passo para o sucesso”, avalia.

Dificuldades

Sendo qual for a banca, algumas dúvidas são comuns à maioria dos concurseiros. Para o professor Deivid, “As dificuldades mais comuns são as velhas conhecidas: conjunções e análises sintáticas. Inicialmente, o aluno deve dominar a parte sintática (análise dos termos da oração, concordância, regência, crase, etc.). Depois disso, pode se preocupar em aprender o valor semântico das conjunções e o restante da matéria”, explica.

Mas não são somente essas velhas conhecidas da língua portuguesa que causam dúvidas nos concurseiros. A reforma ortográfica, que mudou a grafia de várias palavras, também causa dúvidas. Mas Deivid descomplica: “A reforma ortográfica não vem sendo muito cobrada. Ainda estamos em um período no qual a antiga forma e a nova coexistem. Só depois de 2013 que a nova será a única correta. Mesmo assim, é importante o concurseiro não achar que pode escrever do jeito que quiser. Em uma redação, é aconselhável usar apenas uma forma de ortografia. Se usar a antiga e a nova você pode dar a impressão de desconhecimento da língua”, ensina.

Dicas

Para finalizar a aula exclusiva para o Ecaderno, o professor Deivid Xavier mostra o que considera ser o mais fundamental. “O mais importante é o foco. O concurseiro deve ter objetividade, disciplina e força de vontade. Procurar um curso que ofereça a ele uma experiente equipe de professores também é fundamental. É preferível investir o dinheiro em um bom curso a comprar materiais didáticos caros”.

Por falar em material didático, Deivid tem um último conselho, esse sobre o uso das gramáticas no estudo para concursos. “Não aconselho gramática aos meus alunos, porque elas não são focadas. É mais importante assistir a uma boa aula e procurar por provas anteriores que foram realizadas pela banca organizadora de seu concurso. Serão muito mais úteis” afirma.


Texto originalmente publicado no Ecaderno, feito a partir de entrevista com o Professor Deivid Xavier. Autoria do texto de Thanius Scoralick Sarchis, do departamento de jornalismo do Ecaderno.

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